Ler Mt. 16.24.
Que cruz é essa?
Jesus disse que os cristãos fiéis irão carregar uma cruz por serem seguidores dele. Em Lc. 23.40-42, o ladrão que estava na cruz explicou corretamente que nem toda “cruz” é resultado de nossa fidelidade. Os sofrimentos que causamos e trazemos sobre nós muitas vezes são resultados daquilo que nós mesmos fizemos.
Interessante é o que dois textos de 1º Pedro nos falam (1º Pe. 2.20 e 3.17). Qual a pergunta que precisamos fazer segundo estes textos? Quando passamos por algum sofrimento precisamos perguntar: estou sofrendo por fazer o que é certo ou o que é errado? Será que é possível sofrer por fazer o que é certo?
Na parábola da Videira, João 15, Jesus diz uma coisa muito interessante no vers. 2 que pode nos ajudar a compreender o sofrimento. Deus permite que a dor entre na vida dos seus filhos. Nossas dores e perdas são como os ferimentos que um agricultor provoca nos galhos frutíferos de uma videira. Para que ele (agricultor) faz isso? A finalidade é torná-los ainda mais produtivos. A poda divina é a forma de nos tornar ainda mais produtivos e mais frutíferos em Cristo.
Essa poda muitas vezes produz lágrimas, parecidas com a seiva que pinga do corte de um galho da videira. O sofrimento, quando bem entendido e aceito, produz arrependimento e crescimento espiritual.
Martinho Lutero afirmou que a parábola da videira falada por Jesus é consoladora para o cristão, principalmente aquele que consegue aplicar o ensino dela em horas de aflição e provação, quando a morte o entristece, quando o diabo ataca e atormenta, quando o mundo se torna hostil contra o cristão. Então, o cristão pode dizer: “veja, eu estou sendo fertilizado e cultivado como um ramo de videira”.
Ler 2 Co. 12.7-10.
O apóstolo Paulo sofreu muito com um “espinho na carne”.
Deus sabia que até mesmo o maior missionário que o mundo já teve podia ser tentado pelo diabo a se tornar arrogante, prepotente e orgulhoso. Portanto, Ele permitiu este “espinho na carne” para mantê-lo humilde ou como Paulo mesmo diz: “a fim de que não me exalte”.
Talvez aqui entre uma pergunta muito importante: Será que é possível um cristão viver sem nenhum tipo de sofrimento? Vamos ler de novo o vers. 9 de 2º Co. 12. Quando a pessoa está fraca e angustiada, é aí que ela reconhece o poder de Deus e busca o auxílio de Deus.
É por isso também que eu fico indignado com o que as seitas anunciam por aí: “Pare de sofrer”, “chega de sofrimento”. “Se você realmente tiver fé, todo o sofrimento sumirá da sua vida” e assim por diante. Isto é anti-bíblico, é anti-cristão. Deus não ensina isto!
Ler 1º Pe. 1.6,7. Deus neste texto nos mostra que a nossa fé é “muito mais preciosa do que o ouro”. Portanto, Ele usa o sofrimento como uma forma de refinar e purificar a nossa fé.
Quando o apóstolo Pedro escreveu a sua primeira carta, ele usou esta comparação do ouro para consolar os cristãos que estavam sofrendo. Deus, através de Pedro, não queria que esses cristãos pensassem que estavam sofrendo uma punição divina por causa dos seus pecados. Jesus Cristo já havia sofrido toda a ira de Deus pelo pecado (lembrar o pára-raios do último estudo).
Interessante também é o comentário que Martinho Lutero fez sobre este texto de 1º Pedro onde ele aponta que o sofrimento nos ensina a nos agarrarmos à Palavra de Deus: “No seu sofrimento, lembre também que o fogo não diminui o ouro. Ao invés disso, ele o torna puro e brilhante, removendo toda e qualquer mistura. Da mesma forma, Deus coloca a “cruz” sobre todos os cristãos a fim de purificá-los e depurá-los para que sua fé possa permanecer pura assim como a Palavra é pura. Através disso nosso Pai amoroso nos leva a nos agarrarmos somente a Palavra e a não confiarmos em nada mais”. Ou seja, a Palavra de Deus está acima de nossas forças, habilidades ou riquezas.
Ler Jó 23.10 e 1º Pe. 4.12,13.
Pastor Alessandro Souto
(pastor de CELP)